Especialista alerta para riscos climáticos e vereadores defendem fórum municipal instituído em lei
O possível agravamento dos efeitos do fenômeno El Niño e a falta de estruturas permanentes de planejamento climático em Viçosa foram temas de debate durante a Tribuna Livre da Câmara Municipal na reunião ordinária realizada na segunda-feira (8). O engenheiro agrônomo, meteorologista e pesquisador Walter Batista Júnior utilizou o espaço para alertar sobre a necessidade de o município avançar na prevenção de riscos relacionados a eventos climáticos extremos.
Com experiência em projetos de adaptação às mudanças climáticas e combate à desertificação, Walter afirmou que Viçosa ainda não possui estudos e planos considerados essenciais para enfrentar situações como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor. Segundo ele, municípios e estados já vêm elaborando planos de adaptação climática, redução de riscos e segurança hídrica, enquanto Viçosa ainda carece dessas iniciativas.
Durante a fala, o pesquisador destacou que o El Niño já está em andamento e explicou que seus efeitos costumam provocar períodos mais secos no Nordeste, chuvas mais intensas na região Sul e impactos variáveis no Sudeste. Para a região, a principal preocupação seria a possibilidade de temperaturas acima da média.
Walter também mencionou fatores locais que, na avaliação dele, merecem atenção, como a expansão urbana, a ocupação de áreas vulneráveis e a necessidade de estudos sobre abastecimento de água e riscos de desastres naturais. “Tem que ser feito aqui estudos de vulnerabilidades. Como é que os outros pontos da cidade vão ficar? Como é que ficam as vulnerabilidades desses pontos para eventos extremos ligados a enchentes?”, questionou.
O pesquisador lembrou ainda que já havia participado de discussões sobre mudanças climáticas em Viçosa nos últimos anos e cobrou maior mobilização do poder público para aproveitar o conhecimento técnico disponível na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e captar recursos destinados a projetos ambientais.
A fala repercutiu entre os vereadores. O presidente da Câmara, Robson Souza (PSB), destacou que já manteve conversas com o secretário municipal de Meio Ambiente, Humberto Candeias, para viabilizar a implantação do Fórum Municipal de Mudanças Climáticas. Ele é autor da lei municipal nº 3.083/2024, que criou o Fórum.
A vereadora Prisca (PT) também manifestou preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático. Ela citou riscos associados tanto a períodos de estiagem quanto a chuvas intensas e defendeu ações preventivas voltadas para áreas consideradas vulneráveis da cidade. “A ciência já fez a parte dela. A lei já foi aprovada. Agora falta o mais importante: fazer acontecer”, declarou.
A vereadora também citou a necessidade de medidas como limpeza de bueiros, mapeamento de áreas de risco, elaboração de planos de emergência e ações de orientação à população.
Walter Batista Júnior é graduado em Agronomia, mestre em Produção Vegetal e doutor em Meteorologia Agrícola pela UFV. Ao longo da carreira, atuou em projetos relacionados à desertificação, segurança hídrica, monitoramento de secas, recuperação ambiental e adaptação às mudanças climáticas, além de ter coordenado o Fórum Espírito Santo sobre Mudanças Climáticas e participado de programas estaduais voltados à gestão de recursos hídricos e prevenção de desastres naturais.
Foto: Divulgação/Câmara de Viçosa