Projeto de reajuste para professores provoca cobrança por inclusão de outros servidores
Os trabalhadores da educação utilizaram a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Viçosa na reunião ordinária de segunda-feira (1º) para cobrar a correção de distorções salariais e defender a ampliação do reajuste previsto no Projeto de Lei nº 39/2026. A proposta, de autoria do Executivo, concede aos profissionais do magistério um reajuste complementar de 1,14%, percentual necessário para completar a atualização de 5,4% do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério em 2026.
Representando o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) em Viçosa, o professor Rondinele Moreira de Araújo afirmou que, embora o sindicato reconheça a importância da correção proposta, a valorização dos profissionais da educação não pode se limitar aos docentes.
Segundo ele, no início do ano o município concedeu reajuste de 4,26% aos servidores, permanecendo pendente a diferença de 1,14% para que os profissionais do magistério alcançassem o índice nacional de 5,4%. O professor defendeu que o mesmo percentual também seja concedido aos servidores administrativos da educação.
Durante a fala, Rondinele destacou ainda que a categoria reivindica a correção de uma defasagem salarial histórica. De acordo com o sindicato, mesmo com a aprovação do projeto, os profissionais do magistério continuariam recebendo vencimentos abaixo do piso nacional, com uma diferença estimada em 17,98%.
O representante sindical também cobrou o cumprimento de um acordo firmado entre a Prefeitura e o Sind-UTE em 2022 para adequação gradual dos salários ao piso nacional e afirmou que o Executivo ainda não abriu diálogo com a entidade para discutir alternativas de correção das perdas acumuladas.
A vereadora Maria Prisca Silva (PT) afirmou que apresentou emenda ao projeto e defendeu que o reajuste seja estendido aos demais trabalhadores da educação. Segundo a parlamentar, servidores administrativos também desempenham papel fundamental no funcionamento das escolas e deveriam receber tratamento semelhante ao concedido aos professores.
Já o vereador Professor Idelmino (PCdoB) classificou o envio do projeto como uma conquista parcial da categoria. Ele destacou a mobilização promovida pelo sindicato e lembrou que a proposta busca apenas complementar o percentual necessário para atingir o reajuste nacional definido para 2026.
Em sua fala, Idelmino concordou com a proposta de que o projeto retorne ao Executivo para avaliar a inclusão dos demais servidores da educação no reajuste de 1,14%. O parlamentar também solicitou que o benefício seja estendido aos profissionais contratados, citando entendimento recente da Justiça sobre a equiparação salarial entre servidores efetivos e contratados no magistério.
Ainda durante o pronunciamento, o vereador destacou a aprovação da Lei Federal nº 15.326, que reconhece os auxiliares de sala como integrantes da carreira do magistério. Segundo ele, o município precisa adequar o plano de carreira da educação para incorporar esses profissionais e garantir o pagamento conforme as regras do piso nacional.
Foto: Divulgação/Câmara de Viçosa