Serviço de saúde voltado à população LGBTQIAPN+ é apresentado na Câmara
A atuação do Ambulatório LGBTQIAPN+ de Viçosa foi tema da reunião ordinária da Câmara Municipal realizada na segunda-feira (11). A fisioterapeuta Calu Fajardo, integrante da equipe responsável pelo serviço, participou da sessão a convite da vereadora Maria Prisca (PT) para apresentar dados, explicar o funcionamento do ambulatório e detalhar os principais desafios enfrentados desde o início das atividades, em janeiro deste ano.
Calu explicou que o ambulatório surgiu a partir de discussões do Comitê de Equidade da rede municipal de saúde e foi estruturado após aprovação no Conselho Municipal de Saúde. Segundo ela, o serviço foi criado diante da ausência de um atendimento especializado para a população LGBTQIAPN+ em Viçosa após o encerramento do antigo ambulatório mantido pela UFV.
A profissional destacou que o ambulatório funciona em modelo de porta aberta, sem necessidade de encaminhamento prévio, às quartas-feiras, das 18 às 22 horas, na Avenida Santa Rita. O atendimento é voltado para pessoas LGBTQIAPN+ que buscam acolhimento, acompanhamento psicológico, orientação farmacêutica, consultas médicas e acompanhamento endocrinológico.
De acordo com os dados apresentados, o ambulatório completou 14 semanas de funcionamento com 54 pessoas cadastradas e mais de 120 atendimentos realizados. Entre os usuários atendidos, 35 estão em processo de hormonização e 16 realizam acompanhamento psicoterapêutico.
Calu afirmou que a maior parte do público atendido é formada por pessoas trans e não binárias, mas o serviço também recebe mulheres lésbicas, homens gays, pessoas bissexuais e outros integrantes da comunidade LGBTQIAPN+.
A representante do ambulatório também apresentou dados sobre os desafios enfrentados pelo serviço, como demora na realização de exames laboratoriais, limitação da estrutura física, dificuldade de acesso da população periférica ao atendimento noturno e ausência de medicamentos hormonais no SUS.
Outro ponto destacado foi a preocupação com a continuidade do ambulatório. Segundo Calu, atualmente o serviço funciona com recursos vinculados à Política Estadual de Promoção da Equidade em Saúde (POEPS), sem orçamento próprio permanente do município.
Durante os questionamentos dos vereadores, Prisca perguntou sobre investimentos destinados ao serviço e possibilidades de ampliação por meio de emendas parlamentares. Em resposta, Calu informou que o ambulatório ainda não possui financiamento específico municipal, mas defendeu a inclusão do serviço na previsão orçamentária da Prefeitura para garantir estabilidade e expansão do atendimento.
O vereador Raphael Gustavo (PSD) afirmou que irá destinar parte de sua emenda impositiva do orçamento de 2027 para apoiar o funcionamento do ambulatório.
Já a vereadora Jamille Gomes (PT) questionou sobre ações de capacitação dos profissionais da rede municipal de saúde. Calu respondeu que o Comitê de Equidade já realiza formações com equipes da atenção primária, recepcionistas, enfermeiros e agentes comunitários para melhorar o acolhimento da população LGBTQIAPN+ nos serviços públicos.
O vereador Professor Idelmino (PCdoB) sugeriu a criação de mecanismos para levantamento de dados sobre a população LGBTQIAPN+ no município e reforçou a importância de campanhas contra a auto-hormonização sem acompanhamento profissional.
Ao final da reunião, vereadores elogiaram a apresentação e defenderam maior divulgação do ambulatório à população.
Foto: Divulgação/Câmara de Viçosa