Campanha da Fraternidade 2026 é lançada na Câmara de Viçosa com foco no direito à moradia digna

por adm publicado 27/02/2026 09h30, última modificação 27/02/2026 09h30

Na noite desta quinta-feira (26), o plenário da Câmara Municipal de Viçosa recebeu a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026 no município. Com o tema ‘Fraternidade e Moradia’ e o lema ‘Ele veio morar entre nós’, a iniciativa mobilizou párocos, lideranças religiosas, representantes do poder público e fiéis das paróquias locais em torno de um debate que uniu fé, política pública e responsabilidade social.

A sessão foi conduzida pela vereadora Maria Prisca (PT), que destacou a importância de sediar, no espaço legislativo, uma campanha que ultrapassa os limites eclesiais. Em sua fala de abertura, afirmou que a moradia deve ser compreendida como direito fundamental e como condição para a dignidade humana. Segundo ela, cabe ao Legislativo transformar a reflexão proposta pela Igreja em ação concreta, por meio de leis, fiscalização e diálogo com o Executivo.

O ponto central da noite foi a apresentação oficial da campanha pelo padre Geraldo Trindade, capelão da Capela da UFV. Ele contextualizou a trajetória histórica da Campanha da Fraternidade, promovida nacionalmente desde 1964 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e ressaltou que a temática de 2026 recoloca a Igreja diante de um desafio estrutural do país. Ao citar dados da Fundação João Pinheiro, apontou que o déficit habitacional quantitativo ultrapassa 6 milhões de moradias, enquanto cerca de 26 milhões de pessoas vivem em condições inadequadas. Ao mesmo tempo, existem milhões de imóveis vagos no país, o que revela, segundo ele, uma distorção social e econômica que precisa ser enfrentada.

O sacerdote destacou que a moradia não se limita a um teto. Envolve acesso a saneamento, mobilidade, equipamentos públicos e segurança. Citando o Evangelho e a Carta de São Tiago, afirmou que a fé cristã exige respaldo nas obras. Para ele, a Igreja exerce papel profético ao iluminar realidades muitas vezes invisibilizadas, sobretudo nas periferias urbanas e nas áreas de risco.

A carta-convite da campanha foi lida por Rosimar Gomes, que convocou instituições públicas, escolas, universidades, unidades de saúde, associações de bairro e igrejas a se unirem em ações conjuntas. O texto reforçou que a campanha não é apenas reflexão quaresmal, mas compromisso coletivo.

Representando o Executivo, a secretária municipal de Assistência Social, Marise Alves Silva Pinto, anunciou que Viçosa foi contemplada com edital do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ e informou que o município prepara o lançamento do programa ‘Reforma com Dignidade’, com recursos próprios, voltado a pequenas melhorias em residências de famílias inscritas no CadÚnico, como reparos em telhados, banheiros e problemas estruturais básicos. Segundo ela, a gestão municipal tem buscado participar ativamente dos editais federais para ampliar o acesso à moradia.

 

Durante a solenidade, também houve a saudação especial à Casa da Caridade Dom Luciano, iniciativa social ligada à Paróquia de Fátima, que desenvolve projetos de construção e reforma de casas, atendimento psicológico, oficinas de artesanato e orientação a jovens aprendizes. Os voluntários foram reconhecidos pela vereadora Prisca como expressão prática da fraternidade defendida pela campanha.

Um dos momentos simbólicos da noite foi a entrega de chaves representativas às paróquias do município e a instituições parceiras. O gesto marcou o compromisso conjunto entre Igreja e poder público com a causa da moradia digna. Ao final, os padres concederam a bênção e reforçaram o apelo para que a mobilização ultrapasse o simbolismo.

 

A vereadora Prisca anunciou ainda que está prevista para o dia 30 de abril uma audiência pública na Câmara para aprofundar o debate sobre habitação em Viçosa. A proposta é discutir políticas locais, programas existentes e possíveis iniciativas legislativas.

Ao encerrar a cerimônia, a mensagem predominante foi de que a moradia, enquanto direito constitucional e expressão da dignidade humana, exige articulação permanente entre fé, sociedade civil e Estado. A Campanha da Fraternidade 2026, em Viçosa, começou com a sinalização de que esse diálogo está aberto.

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Assessoria de Comunicação
Foto: Divulgação/Câmara de Viçosa